AGIR – Programa de Acções para uma Governação Inclusiva e Responsável

O papel da juventude nas eleições

Pela quinta vez, cidadãos com capacidade eleitoral, residentes nas 53 cidades e vilas autárquicas do país são chamados para, de forma aberta e livre, escolher seus representantes nos próximos cinco anos.

Trata-se de um processo que inaugura uma nova etapa no que concerne à forma de eleição dos órgãos locais de Estado.  O novo modelo resulta dos consensos alcançados entre o Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, e o falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

A partir destas eleições, os Conselhos Municipais passam a designar-se Conselhos Autárquicos e o dirigente da autarquia é eleito a partir da lista do partido que obtiver maior número de votos.

As presentes eleições realizam-se numa altura em que diferentes estudos apontam para diminuição de interesse, da parte dos cidadãos, pelos processos eleitorais, o que culmina com altos índices de abstenção.

Perante este cenário de incerteza e decadência no nosso sistema democrático, a juventude desempenha um papel importante na mudança do paradigma.

O censo populacional, realizado em 2017, mostra que quase dois terços da população têm menos de 25 anos, o que significa que a juventude tem um papel fundamental no futuro democrático do país. Trata-se duma faixa etária que ainda se debate com problemas de emprego, habitação, transporte e educação, mas que continua marginalizada e excluída dos processos decisórios.

O afastamento Venâncio Mondlane e de Samora Machel Júnior, dois jovens que tencionavam concorrer pela presidência do município de Maputo, é o exemplo claro de que na democracia moçambicana, as regras são decididas de acordo com os interesses da “geração dos libertadores”.

Perante estes factos, como diria Nelson Mandela – nossas escolhas, as nossas acções e a nossa coragem devem reflectir os nossos sonhos e esperanças de justiça social, e não os nossos medos.

É chegado o momento dos jovens deixarem de ser a classe mais marginalizada em termos de participação na construção das visões de futuro para o país e, uma das formas da juventude vencer é o exercício da democracia, é o voto.

As presentes eleições realizam-se num período de sacrifícios para os moçambicanos, razão acrescida para que cada um dos jovens manifeste, pelo voto, quem considera estar em melhores condições para assumir a condução da sua autarquia. Não colhe a tese de que as pessoas estão fartas, desiludidas, desencantadas com a política e com os políticos.

Na democracia, o momento do voto é o mais nobre e mais livre de todos os momentos. Aos cidadãos é preciso recordar que o descontentamento com os sistemas políticos só tem um caminho aceitável: a apresentação de propostas políticas alternativas que se traduzam em possíveis novos movimentos políticos. A alternativa à democracia passa pois pelos totalitarismos e as ditaduras, de todo indesejáveis e inaceitáveis. A abstenção significa a demissão de uma escolha que é essencial para todos e a redução de legitimidade para depois criticar as políticas públicas.

Jovens vamos todos votar, porque votar é governar.

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O AGIR – Acções para Uma Governação Inclusiva e Responsável, é um programa de apoio e capacitação das Organizações da Sociedade Civil (OSC´s) Moçambicanas, cuja primeira fase de implementação decorreu de 2010 a 2014. Desde Janeiro de 2015 até Dezembro de 2020 decorre a segunda fase, com a duração de seis anos, tendo a Embaixada da Suécia como seu principal financiador, com apoio suplementar das Embaixadas da Dinamarca e Países Baixos.

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