AGIR – Programa de Acções para uma Governação Inclusiva e Responsável

Determinada, empoderada e segura

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Neida Fernanda Suandique tinha 17 anos quando se tornou membro de um dos três Clubes de empoderamento da Raparigas estabelecidos pela Associação Moçambicana Mulher e Educação (AMME) no populoso Bairro de Namuinho em Quelimane ao abrigo de um Projecto chamado Dreams. Foi por essa via que Neida ingressou num curso técnico profissional intensivo através de uma bolsa facilitada pela AMME. Nessa altura, já tinha feito uma formação escolar do género na Escola Industrial de 2012 a 2015 e depois o 12º ano Geral. Mas a formação escolar não era tudo  tal como acontece com muitas raparigas com formação académica, algo mais viu-se que faltava nesta rapariga – o Empowerment- chamado empoderamento que obteve quando em 2018, recebeu um convite de uma mentora da AMME ao serviço do Projecto -DREAMS  para participar nas sessões dos Clubes de Raparigas.

«Ingressei ao Clube de Raparigas que incluía outros trinta membros. Aos sábados tínhamos sessões com debates sobre o  Género. Aprendi a diferenciar o Género do Sexo, passei a entender acerca dos Pepéis Sociais de Género, um capítulo que ajudou a tornar-me uma pessoa segura relativamente na opção de ter seguido um curso escolar predominantemente masculino. Compreendi que era algo especial e até revolucionário assimilar conteúdos sobre Violência Baseada no Género e HIV durante as sessões do Clube informei-me melhor sobre como evitar a gravidez precoce, aprendi a lidar com o assédio sexual e como precaver-se dos casamentos forçados e violência. Depois constituímos um grupo de Poupança e Crédito Rotativo composto por 10 raparigas, com sessões aos Domingos».

Durante o período que Neida frequentou o Clube de Raparigas, a AMME divulgou uma oportunidade para concorrer a diversos Cursos de Formação Profissional na Associação Young Africa Moçambique, uma ONG vocacionada em capacitar jovens, empregando conceitos inovadores destinados a combater o desemprego.

Sobre a tal oportunidade, a fonte conta como foi. «Os Cursos que iriam decorrer no Dondo-Sofala passavam por apresentação de um perfil do candidato, que fosse aceitável. Inscrevi-me e através da ficha escolhi o Curso de Mecânica. Depois de ingressar participei na formação bastante renhida, pois a maioria dos que nele participavam tinham noções de mecânica e vinham de outras províncias com melhores escolas de formação na área. No fim de seis meses, tornei-me a melhor aluna do curso, muito acima de outras três raparigas do mesmo curso.» Esta destinta bolseira da AMME lograva assim um mérito de dimensão nacional.

Depois

 Neida Fernando Suandique, 22 anos, torna-se mecânica-auto de mão cheia com aptidão para ingressar no renhido e exigente mercado do emprego. Ela é um exemplo de transposição de barreiras do género quando muitas raparigas da sua idade privilegiam profissões socialmente rotuladas  como sendo para mulheres, ela optou pelo contrário. Trocou o salão de cabeleireiro pela oficina, trocou os sapatos de bico alto pelas pesadas botas dos mecânicos. Recusou trabalhar com secadores e desfrisar os cabelos para manusear pesadas ferramentas que apertam e desapertam dentuços parafusos. Em vez de exibir-se de mechas e tissagens na cabeça, preferiu o capacete de protecção.  Não quis exibir-se de unhas pintadas com o verniz preferindo as mãos borradas de óleos e lubrificantes. Também não quis blusas de alças e vestidos limpinhos, preferindo o fato rijo e pesado feito de ganga dos mecânicos. Sua ousadia desafia normas sociais fortemente assentes na inferiorização das mulheres e raparigas. Ela enfrenta preconceitos que ainda tentam colocar a mulher em plano secundário. Prova, tal como aprendeu que a diferença entre a mulher e o homem é apenas do sexo.  Ela agradece a oportunidade concedida e diz o seguinte: «A AMME apoiou-me até que consegui ingressar para uma vaga de estágio na Empresa Chamaune- uma das mais cotadas empresas do ramo auto na Zambézia. Antes passei pela empresa auto- Rover». Diz-se capaz de competir ”taco a taco” com qualquer mecânico e reconhece haja ainda muito por aprender sobre a matéria.

 A fonte considera que «O ingresso para o Clube onde pela primeira vez deparei-me com debates profundos sobre as relações de género, ajudaram a tornar-me segura de mim, uma vez que estarei sempre sujeita a trabalhar em meios predominantemente masculinos». Advoga Neida

Ainda não tem um contrato de trabalho, mas confia que conseguirá  pois no Clube de Raparigas de que   Neida guarda lembranças, aprendeu a torna-se uma rapariga determinada, resiliente, empoderada, segura nos seus actos e pensamentos, com personalidade forte, virtudes das  quais os Clubes tiveram a nobre tarefa de incuti-la.

 

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