AGIR – Programa de Acções para uma Governação Inclusiva e Responsável

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A paixão pela agricultura começa desde criança

Roga a Constituição da República, no seu artigo 103, que na República de Moçambique a agricultura é a base do desenvolvimento nacional. Porém, esta actividade continua secundarizada, sobretudo quando se fala da participação da juventude.

No meio de excepções, aparece Lisete António Magaia de 31 anos de idade, natural de Maputo e mãe de uma filha.

Lisete Magaia é o exemplo de sucesso das actividades desenvolvidas pela ABIODES, em parceira com a We Effect no âmbito do Pograma AGIR, na componente das mudanças climáticas.

Através da sua iniciativa de difusão do desenvolvimento sustentável e inclusivo da agricultura e uso racional dos recursos naturais, a ABIODES está a trabalhar com alguns agricultores do cinturão verde da região de Grande Maputo.

Lisete Magaia é formada em agropecuária pelo no Instituto Agrário de Boane, na província de Maputo.

Debaixo de sol intenso, Lisete Magaia recebeu o PlataformAGIR no seu campo agrícola, nas zonas verdes do bairro de Albazine, arredores da cidade de Maputo.

Contou-nos que convive com o ambiente da machamba desde a sua infância quando acompanhava a mãe.

“Sou filha duma agricultora, sempre convivi próximo dos campos agrícolas, parte da minha formação académica resulta dos rendimentos provenientes da machamba”, disse.

Nasceu numa família de nove irmãos, porém é a única que abraçou a agricultura.

Conta que, apercebendo-se da sua paixão pela lavoura, a mãe cedeu-lhe uma parcela de terra para desenvolver actividade agrícola.

Ao lado mãe, Lisete Magaia diz que a agricultura é sua paixão

De lá a esta parte não parou de crescer e estendeu as suas áreas de cultivo, dedicando-se à  produção de hortícolas.

Actualmente, conta com três trabalhadores e no período da sacha, limpeza dos solos e da colheita conta com o auxílio de sazonais.

Diz que a actividade está a crescer. Porém, o grande problema deriva do mercado que não responde 100% das expectativas.

Lisete Magaia explicou ao PlataformAGIR que as suas realizações ganharam vivacidade com a entrada da ABIODES na assistência técnica e no patrocínio das acções de troca de experiência com outros agricultores.

“Neste momento, a ABIODES, através do Programa AGIR, está a ajudar-me na multiplicação da rama de batata doce de polpa alaranjada com vista a expandir a cultura para outros agricultores”, frisa.

Lisete Magaia também conta com o apoio da ABIODES na mitigação dos efeitos da erosão derivada da movimentação dos solos devido às chuvas.

“Sempre que tenho alguma preocupação, quer em termos de assistência técnica ou do mercado, para colocação da minha produção, contacto a ABIODES e esta responde prontamente a minha inquietação”, disse.

Sublinha que também está a trabalhar na diversificação de culturas com vista a mitigar os efeitos negativos das mudanças climáticas.

“A ABIODES também organiza feiras comerciais e  apoia-nos em transporte e mesas para colocação de produtos”, disse.

Lisete Magaia enaltece o apoio do AGIR e apela à ABIODES para continuar a promover a divulgação da produção agro-ecológica. Trata-se dum sistema de agricultura que consiste na produção agrícola recorrendo a fertilizantes naturais.

Aliás, é na agricultura agro-ecológica que Lisete Magaia está apostada.

“A nossa preocupação é com a qualidade do produto que levamos ao consumidor. Produzimos na base de fertilizantes naturais, não usamos produtos químicos e isso aumenta custos. Porém, quando chegámos ao mercado, o consumidor não percebe essa mecânica. Pelo que, no âmbito da parceria que temos com o AGIR, pedimos que o Programa trabalhe em campanhas de promoção da agroecologia porque o grosso da população ainda não conhece o valor de produtos resultante deste tipo de agricultura”, sublinhou a entrevista.

Mudanças climáticas
Lisete Magaia diz que está a par das transformações climatéricas que de forma negativa afecta o sector agrícola.

Sublinha que tem sentido os efeitos porque as culturas já não têm o desempenho positivo tal como se verificava no passado.

As culturas mais frágeis ao calor ou as chuvas é que mais sofrem.

Para contornar os efeitos das mudanças climáticas, Lisete Magaia diz que tem apostado grandemente no cultivo de plantas tolerantes à seca. A batata de polpa alaranjada e o piri-piri são  o exemplo dessas culturas.

A parceria com a ABIODES deverá prolongar-se até 2020, altura em que o AGIR terminar a sua a segunda fase, contudo, apela  aos implementadores dos projectos do Programa AGIR para que encontrem formas de dar andamento às iniciativas.

“A ABIODES tornou-se no nosso amparo, estou a aprender muita coisa com esta parceria, mas acho que ainda há muito mais conhecimentos por adquirir para o desenvolvimento das minhas actividades diárias”, finalizou a entrevistada.

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O AGIR – Acções para Uma Governação Inclusiva e Responsável, é um programa de apoio e capacitação das Organizações da Sociedade Civil (OSC´s) Moçambicanas, cuja primeira fase de implementação decorreu de 2010 a 2014. Desde Janeiro de 2015 até Dezembro de 2020 decorre a segunda fase, com a duração de seis anos, tendo a Embaixada da Suécia como seu principal financiador, com apoio suplementar das Embaixadas da Dinamarca e Países Baixos.

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